segunda-feira, 21 de julho de 2014

Eterno Rubem Alves


Rubem Alves nasceu no dia 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, naquele tempo chamada de Dores da Boa Esperança. A cidade é conhecida pela serra imortalizada por Lamartine Babo e Francisco Alves na música "Serra da Boa Esperança".
A família mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1945, onde, apesar de matriculado em bom colégio, sofria com a chacota de seus colegas que não perdoavam seu sotaque mineiro. Buscou refúgio na religião, pois vivia solitário, sem amigos. Teve aulas de piano, mas não teve o mesmo desempenho de seu conterrâneo, Nelson Freire. Foi bem sucedido no estudo de teologia e iniciou sua carreira dentro de sua igreja como pastor em cidade do interior de Minas. 
No período de 1953 a 1957 estudou Teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas (SP), tendo se transferido para Lavras (MG), em 1958, onde exerce as funções de pastor naquela comunidade até 1963.

Casou-se em 1959 e teve três filhos: Sérgio (1959), Marcos (1962) e Raquel (1975). Foi ela sua musa inspiradora na feitura de contos infantis.
Em 1963 foi estudar em Nova York, retornando ao Brasil no mês de maio de 1964 com o título de Mestre em Teologia pelo Union Theological Seminary. Denunciado pelas autoridades da Igreja Presbiteriana como subversivo, em 1968, foi perseguido pelo regime militar. Abandonou a igreja presbiteriana e retornou com a família para os Estados Unidos, fugindo das ameaças que recebia. Lá, torna-se Doutor em Filosofia (Ph.D.) pelo Princeton Theological Seminary.
Sua tese de doutoramento em teologia, “A Theology of Human Hope”, publicada em 1969 pela editora católica Corpus Books é, no seu entendimento, “um dos primeiros brotos daquilo que posteriormente recebeu o nome de Teoria da Libertação”.
De volta ao Brasil, por indicação do professor Paul Singer, conhecido economista, é contratado para dar aulas de Filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (SP).
Em 1971, foi professor-visitante no Union Theological Seminary.
Em 1973, transferiu-se para a Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, como professor-adjunto na Faculdade de Educação.
No ano seguinte, 1974, ocupa o cargo de professor-titular de Filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), na UNICAMP.
É nomeado professor-titular na Faculdade de Educação da UNICAMP e, em 1979, professor livre-docente no IFCH daquela universidade. Convidado pela "Nobel Fundation", profere conferência intitulada "The Quest for Peace".
Na Universidade Estadual de Campinas foi eleito representante dos professores titulares junto ao Conselho Universitário, no período de 1980 a 1985, Diretor da Assessoria de Relações Internacionais de 1985 a 1988 e Diretor da Assessoria Especial para Assuntos de Ensino de 1983 a 1985.
No início da década de 80 torna-se psicanalista pela Sociedade Paulista de Psicanálise.
Em 1988, foi professor-visitante na Universidade de Birmingham, Inglaterra. Posteriormente, a convite da "Rockefeller Fundation" fez "residência" no "Bellagio Study Center", Itália.
Na literatura e a poesia encontrou a alegria que o manteve vivo nas horas más por que passou. Admirador de Adélia Prado, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, Octávio Paz, Saramago, Nietzsche, T. S. Eliot, Camus, Santo Agostinho, Borges e Fernando Pessoa, entre outros, tornou-se autor de inúmeros livros, é colaborador em diversos jornais e revistas com crônicas de grande sucesso, em especial entre os vestibulandos. Afirma que é “psicanalista, embora heterodoxo”, pois nela reside o fato de que acredita que no mais profundo do inconsciente mora a beleza. 
Após se aposentar tornou-se proprietário de um restaurante na cidade de Campinas, onde deu vazão a seu amor pela cozinha. No local eram também ministrados cursos sobre cinema, pintura e literatura, além de contar com um ótimo trio com música ao vivo, sempre contando com “canjas” de alunos da Faculdade de Música da UNICAMP.
O autor é membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp e cidadão-honorário de Campinas, onde recebeu a medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.

Fonte: http://www.releituras.com/rubemalves_bio.asp

sábado, 17 de maio de 2014

O universo de “indivíduos” num mundo de “pessoas”

“Jesus ama o pecador, mas aborrece o pecado”. Eu porem poderia dizer que admiro as religiões, no entanto, odeio o fanatismo religioso.
As religiões fazem parte das culturas da humanidade, as quais devem ser respeitadas todas elas. As convicções religiosas das pessoas muitas vezes as levam a cometerem injustiças, tendo em vista que os seus dogmas, as suas crenças, mitos e ritos se consideram exclusivamente verdadeiros e inquestionáveis. 
Platão atribuía aos demônios a sua inteligência, santos Agostinho na idade media atribuiu aos demônios a idéia de seres malignos. Existia uma crença de que os demônios desciam do céu e se relacionavam sexualmente com os humanos e que do fruto desse relacionamento nasciam às bruxas, esse fato foi motivo de muitas mortes causadas pela igreja católica na idade media. Quando na verdade o interesse era econômico, pois as terras e os bens da suposta bruxa eram confiscado pelo Estado/Igreja; a suposta bruxa não tinha o direito de justificar sua inocência e conseqüentemente era queimada na fogueira. Quem ousar-se interferir seria queimado junto com ela. O interessante nessa historia é que não se ver ou pouco se fala em possíveis bruxos ou caça aos bruxos. Refletindo uma dominação machista a qual sempre dava proteção aos homens.
Uma questão singular levantada por Adorno e Horkheimer no livro A dialética do Esclarecimento, é que o iluminismo liberta o homem dos mitos, lendas e crendices nas divindades. Todavia, deveríamos evoluir, por ocasião do conhecimento, no entanto, a espécie humana está se afundando numa barbárie. Qual foi o bem que trouxe a ciência? Todo o desenrolar do processo de esclarecimento se dá com base no medo do homem do desconhecido e de sua tentativa de auto-conservação e de sobrevivência (o medo da morte).
Não quero invalidar as religiões, até acredito que tentar invalidar uma idéia ou conceito religioso confiando unicamente na ciência, é tão absurdo quanto levantar um conceito baseado unicamente por ela, todavia, a ciência é feita de acerto e erro. 
A teoria da relatividade geral, que Einstein desenvolveu nos Estados Unidos, um dos dois pilares da física moderna, hoje só serve como um clássico. Os jovens de hoje utilizam uma ciência mais avançada, e assim será daqui por diante por causa da evolução na tecnologia. 
A ciência não foi criada por nenhum homem, e sim, interpretada por eles. As coisas que estavam ocultas foram trazidas a tona, ao conhecimento deles. 
Outro fato importante é que a Bíblia está cheia de alegorias e metáforas e, foi distorcida por vários séculos para reforçar e satisfazer a vontade de vários Reis, dos quais, dois deles: Henrique VIII e o rei James da Inglaterra em 1611. Outros textos da Bíblia se perderam ou foram completados pelos gregos; por isso algumas divergências nos livros do novo testamento. Lucas e Mateus, por exemplo, tem diferentes lugares do nascimento de Cristo. Um é numa casa e no outro numa manjedoura. Ou em João 7:8 que fala sobre a mulher pega em adultério.
Para muitos a passagem se dá com a intenção de prender Jesus, pois, nesse caso só haveria uma resposta ao julgamento imposto: apedrejar ou liberar a mulher. Se apedrejasse Jesus estaria indo contra o que ele pregava (o perdão), e se liberassem estaria indo contra as leis de Moisés. Como todos já sabemos como termina, eu quero levantar um olhar para outra perspectiva. Para alguns estudiosos da Bíblia essa passagem não existia no original e foi acrescentada pelo rei James, todavia, “era moda” na idade média alguns reis modificarem para que fossem justificadas algumas atrocidades. Trouxeram somente a mulher e não o homem fazendo transparecer o machismo da época.
A maldição de Can em Gêneses 9:22 justificava a escravidão dos negros nos Estados Unidos, ele seria o pai da nação africana quando na verdade foi Canaã amaldiçoado. Os fugitivos da Inglaterra levaram a Bíblia do rei James para os Estados Unidos da America.
É perigoso usar a Bíblia como prova de qualquer coisa, todavia, por causa da sua maleabilidade, pode ser adaptada a qualquer contexto.
Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. “Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma conseqüência”. (Leon Tolstoi)

Alex Alves


Bibliografia

Cemin, Arneide. Labirinto - Centro de Estudos do Imaginário. http://www.cei.unir.br/nota2.html (acesso em 12 de 09 de 2013).
Chalmers, Alan F. O que é Ciência, Afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.
ELIADE, Mircela. Tratado de Historia das Religiões. 1970.
Horkheimer, Max & Adorno, Theodor W. A Dialetica do Esclarecimento: Fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
SAGAN, Carl. O mundo asombrado pelos demônios. São Paulo: Compahia das Letras, 1996.
Santos, José Luiz do. O que é cultura. São paulo: Brasiliense, 2006.
WACH, Joachim. Sociologia da Religião. São Paulo: Paulinas, 1990.
Imagem da internet: http://imagensbiblicas.wordpress.com/2008/07/29/quem-nao-tiver-pecado-atire-a-primeira-pedra/





quinta-feira, 15 de maio de 2014

Caos em Pernambuco - saques e clima de guerra, Abreu e Lima em Pernambuc...

“A Polícia e o Exército são considerados aparelhos repressivos, usados pelo Estado, para impor a ideologia dominante”. Quando eu escutar isso daqui p/ frente vou lembrar-me desses dias horríveis, de saques e desordem que presenciei esta semana 14 e 15 de maio de 2014, e refletir se realmente não são indispensáveis, pelo menos para manter o cumprimento das normas sociais. Quantos supostos “pais de famílias”, “estudantes” e em geral “pessoas de bem” aproveitaram um momento de fragilidade na segurança pública para agirem de forma a qual só prevalecia o pensamento individual, a ganância, a corrupção? Tem um ditado que diz: “A ocasião faz o ladrão”.
Será que podemos cobrar por um país mais justo, menos corrupto e mais educação se na primeira oportunidade acontece uma coisa dessas. E esses, os próprios PMs, serão os que vão descer o pau nos manifestantes na copa! 
Nesse caso um precisa do outro...?

sábado, 1 de março de 2014

Richard Dawkins Ensinando Evolução Para Alunos Religiosos.

A ciência não aceita a teoria da criação religiosa, a qual conhecemos por fixismo. Essa teoria diz que as coisas foram criadas e permanecem do mesmo jeito desde o começo, há milhões de anos. A ciência não concorda com o mito da criação, religiosa cristã, pois o mesmo é um texto cheio de alegorias, e algumas coisas tem um sentido muito figurado, o qual não podem ser interpretado no seu sentido literal. Todavia, remete uma simbologia maligna a alguns animais e, a um especial, o qual foi o causador da expulsão do homem do paraíso tentando Eva; e que possivelmente Eva teria saído da costela de Adão. A religião cristã diz que Deus criou o homem do pó da terra soprando em suas narinas dando o fôlego da vida, e que o mesmo veio do pó e ao pó voltará. A religião também diz que existem criaturas aladas que vivem no ar e que são invisíveis aos nossos olhos, e essas criaturas foram expulsas do céu depois de travar uma grande  luta, e estão na terra tentando os homens e os levando a destruição; esses seres alados ficaram conhecidos por demônios, e foi um em especial quem tentou Eva no paraíso e conseqüentemente depois veio a queda do homem,  sendo expulsos dos jardins do Éden, Eva e Adão.
Uma das principais críticas à religião viria da teoria da evolução das espécies, levantada por Charles Darwin, a qual acredita e tem evidencias, de que a humanidade evoluiu de uma célula; e o processo de seleção natural fez com que ao longo dos tempos e devido a um sistema de competição natural, os mais adaptáveis perpetuassem a sua herança genética, permitindo que a geração seguinte herdasse os traços necessários para uma melhor adaptação no meio em que vive. Ainda, segundo a ciência, a espécie humana teria um antepassado primitivo que seria o elo entre o homem e os símios, o qual ficou bastante conhecido como “O elo perdido”.
Uma crítica muito interessante no vídeo foi de que algumas pessoas simplesmente acreditam na bíblia, porque foi esta a história que aprenderam desde pequenos e, acabam ignorando as evidencias descobertas pela ciência (fosseis, os movimentos das placas tectônicas etc.). A bíblia relata que a terra só teria sido criada há seis mil anos, e eis outro fato que é refutado pela ciência, e assim por diante, haverá uma serie de fatores que poderão ser contestados pela ciência.
            O século XIX trouxe a geologia criada pelo advogado,naturalista e geólogo escocês Sir Charles, o que fez com que fortalecesse ainda mais a ciência, evidenciando os fósseis e provando que as especies evoluíram, acabando de vez com a teoria fixista. A ciência não precisa mais da definição da bíblica para explicar os fenômenos; a ideia de Deus, Demônios, criação e divindades teriam sido refutadas pela ciência; segundo a ciência, a existência de tais fatos está no imaginário comum das pessoas, é o que diminui o medo da morte e dá esperança aos homens de suportar as dificuldades; no entanto, a ciência não é uma verdade inquestionável, pois, um dos pontos que podem ser observados é que a ciência é feita de acerto e erro. Titiev desenvolve a ideia de casualidade controlada, segundo ele à medida que o nível de conhecimento humano cresce sua crença e dependência no sobrenatural diminui, isso porque o homem passa a demonstrar controle sobre as causas de determinados efeitos, e assim o fenômeno investigado passa do domínio da religião para o da ciência.

Alex Araújo 

RELIGULOUS - Religiões (Legendado em Português - Completo HD)


Bill é um cético. Com bastante humor e irreverência ele apresenta questões relevantes para se pensar, nas quais, uma delas discute sobre a religião como sendo uma coisa prejudicial ao progresso da humanidade. Percebe-se que ele não tem a intenção de refutar as crenças, no entanto, como cético, busca provas que possam sustentar a fé e a crença das pessoas nas religiões e não suposições.
Maher começa seu documentário mostrando sua visão particular e, apesar de usar de opinião pessoal sobre o que acha das religiões, busca respostas eloqüentes, baseadas em provas tangíveis, algo irrefutável. Seu “produto”, como ele mesmo chama, é a dúvida, e as principais delas transcorrem a respeito da fé, riqueza, homossexualidade, milagres, holocausto, monoteísmo, evolucionismo, dentre outras.
            Através de dados históricos e científicos ele não ver uma sustentação lógica e firme nos argumentos levantados pelos religiosos durante as antevistas; e acha difícil que uma cobra tenha falado com Eva e consequentemente ela e Adão tenham sido expulsos do paraíso, ou qualquer idéia de criacionismo etc. Bill não entende como pessoas tão inteligentes possam acreditar em historias que ele considera absurdas, as quais ele compara aos contos infantis.
            Para ele não ter fé é uma questão de “luxo”, pois a partir do momento que um individuo esteja satisfeito com a sua vida, esse individuo não precisara da fé. Também há uma incompatibilidade entre o que está na bíblia e que é visto nos templos e seus lideres a respeito das riquezas,  assim como o monoteísmo se contradiz a quantidade de mini deuses levantados pela igreja. O que os fiéis chamam de milagres, para Bill não passam de meras coincidências.             Os dez mandamentos não parecem ser inteligentes o bastante para serem considerados tão importantes até os dias de hoje, pelo contrário, ele os considera repetitivos, incompletos e egoístas. Pala ele, o cristianismo não passa de um plagio de outras religiões antigas, nas quais uma criança nasce de uma virgem, faz milagres, morre e ao terceiro dia ressuscita.
            Bill entende que varias pessoas acreditam no Armagedom, e que será num local especifico, e consequentemente Deus destruirá o mundo, no entanto, quando essa passagem foi escrita o homem não dispunha de tanta tecnologia, com poder de destruição em massa como tem hoje. E que a humanidade já está destruindo o mundo usando de forma inconsciente os recursos naturais, ou seja, não se precisa mais ser Deus para destruir o mundo.
            Com todos estes argumentos não são encontrados dados científicos que contestem a veracidade das crenças nas religiões, e que as mesmas não passam de um ato compreensível do medo e insegurança em relação à morte e ao desconhecido.

Alex Araujo

Para que servem as religiões?

As convicções religiosas das pessoas muitas vezes as levam a cometer injustiças, tendo em vista que os seus dogmas, as suas crenças, mitos e ritos se consideram exclusivamente verdadeiros e inquestionáveis. 
A crença nas hierofanias (manifestação do sagrado), cósmicas ou da natureza, algumas nas quais estão relacionadas o animismo (uma forma que o homem tem de relacionar funções especificamente humanas as coisas inanimadas, ou seja, objetos da natureza e as suas manifestações), em determinado momento fez com que muitos grupos de indivíduos revelassem a sua crença em deuses: relacionados ao trovão, vento, arvores, cosmos etc. Relacionavam os sonhos ao contato direto com um mundo espiritual, como se os sonhos revelassem coisas do presente, passado e futuro. Como se fosse uma forma de o espírito se desprender da matéria corporal e sobrevoar o mundo.

A crença num mundo espiritual atenuava o medo da morte, pois existiria uma possibilidade de após a morte o individuo se comunicar com as pessoas que ficaram, e esses mortos agora sendo um espírito, interferir na sua “sorte”: na caça, na guerra etc. e o sucesso da tribo dependia do humor do suposto espírito, que também recebia oferendas, cultos e rituais

Um dos maiores medos dos indivíduos é a morte. Todavia, a fé nos sacerdote se torna uma coisa muito importante, pois o mesmo é um intermediário entre os dois mundos (espiritual e o físico), e isso de certa forma atenua o medo da morte. 

O feiticeiro/sacerdote é um intermediário entre os dois mundos, é o individuo que está adequadamente preparado para manusear os objetos ou palavras, com as quais o mana está relacionado, sem profanar o sagrado. É o intermediário entre as pessoas comuns e o mundo sobrenatural. 
Assim as pessoas tendem a ver certas situações com um olhar maniqueísta, sempre relacionando casos do cotidiano a algumas manifestações do sagrado; acreditando existir uma guerra cosmológica e uma luta que se estende por séculos no plano espiritual entre o bem e o mal, e por vezes, esses espíritos interferem no plano material, influenciando a sorte dos indivíduos na terra.
De acordo com a Bíblia Sagrada, Deus permitiu aos homens um livre-arbítrio, direito de escolha entre o bem e o mal. De certa forma, isto responde a quem perguntar sobre o motivo de tanta maldade na terra, pois, se existe maldade, é por total responsabilidade e escolha do homem, que escolhe entre o bem e o mal; todavia, existem demônios que estão todos os dias a atormentar a humanidade e, a Eles são atribuídas toda a origem do mal; a idéia de demônios foi distorcida pela de “Diabo” por santo Agostinho na idade media, dando a idéia de seres totalmente malignos; Platão atribuía aos demônios inteligência e um papel elevado e nem todos eram maus. Percebemos nesses trechos o temor dos homens pelas coisas do imaginário comum, as coisas espirituais, as quais estão fortemente ligadas à humanidade desde o começo dos tempos, quando o homem começou a atribuir signos e significados as coisas e crer nas hierofanias. 
Existia uma crença de que os demônios desciam do céu e se relacionavam sexualmente com os humanos e que do fruto desse relacionamento nasciam às bruxas, e esse fato foi o motivo de muitas mortes causadas pela igreja católica na idade media. Quando na verdade o interesse era econômico, pois as terras e os bens da suposta bruxa eram confiscado pelo estado/igreja; a suposta bruxa não tinha o direito de justificar sua inocência e consequentemente era queimada na fogueira. Quem ousar-se interferir seria queimado junto com ela. O interessante nessa historia é que não se ver ou pouco se fala em possíveis bruxos ou caça aos bruxos. Refletindo uma dominação machista a qual sempre dava proteção aos homens.
A crença em duendes, anjos, espíritos, bruxas, demônios fazem parte do imaginário comum, no entanto, ao longo dos tempos, podemos ver que a ciência vai evoluindo e cada vez mais refutando algumas teorias; certos mitos vão se adaptando e as idéias de coisas espirituais vão dando a lugar aos UFOS, ou alienígenas; seres extraterrestres. As pessoas da antiguidade não tinham referência tecnológica do que seria um disco voador nem espaçonave ou coisas do tipo, e talvez não pudessem descrever como hoje como nós imaginamos ser os alienígenas.

Segundo Dumézil, pag. 25, [...] É sempre numa certa situação histórica que o sagrado se manifesta, até as experiências místicas mais pessoais transcendentes sofrem a influencia do momento histórico. Assim a ideia mística de espíritos e demônios vai dando lugar a uma ideia que se apóia na ciência, e os ALIENS serão parte do imaginário comum da atualidade, e todo aparecimento antigo de deuses espíritos e Demônios serão justificados por um antepassado extraterrestre o qual ajudou a humanidade desde o começo dos tempos.

Gostaria de refletir algumas duvidas surgidas durante o texto: Será que não atribuirmos à tendência que a humanidade tem de se inclinar para o mal aos demônios e assim não estaremos nos isentando de toda responsabilidade? Se Deus criou o Diabo, quem o tentou? Pois, se atribuirmos a culpa por nossas escolhas erradas a ele, quem o tentou para usurpar o trono de Deus, alguém pior que ele? Pois o mesmo era um anjo de luz, sem maldade alguma. Deus criou o Mal? 

Será que o suposto Mal já existia antes da criação e vivia lá no céu junto com Deus? Talvez até tenha sido criado por Ele, pois, se a religião atribui a origem de todos os males da humanidade ao Diabo, quem O tentou para cometer o mal e se voltar contra Deus? Outro Alguém maior? Eu pergunto: será que a espécie humana não se utiliza desse argumento para se eximir da maldade cometida pelos homens? A religiosidade tem se tornando objeto de dominação pela política e pelas pessoas que detinham o poder, de decidir pela vida dos outros em nome de Deus. Essa dicotomia entre bem e mal foi criada para colocar cabresto nos homens, pois politicamente a coerção através da Fé é mais eficaz que o uso da força, pois, quem se atreveria ir contra Deus? 

As tradições religiosas são com freqüência tão ricas e variadas que oferecem uma ampla oportunidade de renovação e revisão, sobretudo, mais uma vez, quando os livros sagrados podem ser interpretados metafórica e alegoricamente tendendo a uma hermenêutica de acordo com a interpretação de cada religião, assim, não se tem uma resposta consistente das coisas, da vida e da criação do mundo.
Deuses foram criados para explicar fenômenos naturais e coisas que o homem não conseguia explicar. No Egito existiam deuses antropozoomorficos, metade animal, metade humana, e a cada um era determinado certo poder. Rá era o deus sol, a estrela da manhã que trazia calor e mantinha a vida no planeta. Já o antropomorfismo dos gregos que nós adotamos, os deuses teriam semelhança com a imagem humana, e seriam sujeitos aos mesmos desejos e paixões. O homem em geral, não tem como imaginar como ou qual seria a vontade de Deus, se não, segundo o que ele entende por verdade, pela sua cultura, pela sua política e as suas crenças.
Segundo a antropologia, o homem criou signos que podem transmitir conhecimento, cultura, sentimento, arte etc. A capacidade de pensar e falar, procurar os significados das coisas, refletir sobre um criador, levou o homem de uma linguagem inarticulada para uma mais articulada. O pensamento em um ser divino leva o homem de uma conduta instintiva a uma conduta moral. 
A permanência nos grupos passou a exigir uma conduta moral baseada nos costumes, mitos e crenças das sociedades as quais pertenciam o individuo. Segundo Norbeck, “as cerimônias, os rituais e as religiões são baseados no sistema social, os quais estão integrados os agentes sociais”.

Geralmente a sociedade, a qual o modo de vida gira em torno da agricultura, vai crer que a sua colheita dependerá de uma divindade, a qual tem o poder de determinar se a colheita será boa ou ruim. Se a divindade não estiver zangada a colheita será boa, se não, será ruim como forma de castigo. As sociedades que dependem do mar para viver geralmente relacionam a sua sorte aos deuses relacionados ao mar. Acreditam que existem divindades, as quais estão relacionadas ao mar e delas depende a sua sobrevivência. Seja na pescaria ou ao navegar não serem tragados pelo mar.
O homem em geral, não tem como imaginar como ou qual seria a vontade de um deus, se não, segundo o que ele entende por verdade, pela sua cultura, pela sua política e as suas crenças. Geralmente os deuses têm semelhança humana, os quais no cristianismo, candomblé, hinduísmo, budismo, islamismo etc. todos são sujeitos aos mesmos desejos e paixões que os homens. Por exemplo, os deuses podem sentir: íra, ciúmes, inveja, amor, compaixão etc. todos os sentimentos relacionados ao ser humano. Outro detalhe é que o Deus europeu é branco, e não negro nem indígena, ou seja, cada sociedade vai criar um Deus a sua imagem e semelhança. Como disse Xenofanes: se um cavalo pudesse pintar como seria o seu Deus, o pintaria em forma de cavalo e Nietzstche: o Deus é a imagem e semelhança do homem, contradizendo a bíblia, a qual diz que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança. Algumas religiões pregam uma vida de ascetismo, a qual na concepção de “alguns”: aproxima o individuo do seu Deus, pois o desapego aos bens materiais dará na outra vida, muito ouro e riquezas. Em uma sociedade grande as religiões tendem a separar as pessoas. Devido às diferentes crenças, que são muitas, e cada pessoa achar que a sua religião é a verdade.

Mesmo uma pessoa não sendo um fundamentalista religioso ou intolerante com as outras religiões, existe certo preconceito em aceitar os argumentos de outra cultura religiosa estranha da sua; todavia, o individuo só busca argumentos que reforce a sua crença em determinada religião, a qual ele acredita, acarretando na desintegração social ou o afastamento social.

Mesmo sendo uma questão primitiva de regras, baseada na moral e nos costumes, as religiões tem a sua contribuição social, uma vez que, faz um individuo refletir antes de infringir uma norma social ou algumas regras sociais como: matar, roubar, cobiçar etc. e outras as quais são conhecidas como pecados capitais: gula, avareza, inveja, luxuria etc. Os fatos sociais de Durkheim são um exemplo de como as normas sociais são importantes para as sociedades; nele a religião é um dos “determinantes” e delineadores do comportamento humano; a sociedade é quem cria o individuo. A crença em almas ou espíritos e uma vida após a morte podem atenuar o medo do “fim”, o individuo vai aceitar a morte de uma forma menos destruidora, pois, entenderá que a morte só será um meio para chegar ao mundo espiritual o qual não haverá sofrimento nem dor. 

Cada sociedade vai ter a sua crença baseada nos seus costumes religiosos, e essa crença sofrerá mutações na medida em que as sociedades vão trocando experiências umas com as outras, as religiões sofrerão adaptações, e isso faz parte da evolução cultural das sociedades. As religiões não devem ser comparadas moralmente ou colocadas num patamar que caracterize uma proximidade ou distancia com a razão, todavia, todas são baseadas na crença, o que não poderá de forma alguma atestar a sua eficácia ou veracidade. Se um individuo acredita que existe uma força, a qual possui a capacidade de interferir espiritualmente no mundo em que vivemos e essa energia pode emanar de um objeto ou pessoa e pode ser passada pelo toque ou pela presença no mesmo local com o objeto ou pessoa: não se pode dizer que essa pessoa é atrasada ou intelectualmente inferior as outra pessoas, pois a religião não é baseada na razão. Realmente acredita-se que exista certa necessidade de conhecimento e preparação em entrar em contato com os “objetos”, os quais o mana esteja relacionado.
O Tabu é uma forma de manter as pessoas desavisadas a distância. De certa forma existe tabu em tocar em determinadas “coisas ou pessoas”. Um exemplo interessante é o medo que algumas pessoas têm em esbarrar - tocar - em uma oferenda aos deuses africanos, pois, imagina-se que ao tocar no “objeto” certo mal poderá sobrevir contra o individuo. Outro exemplo seria a cura através da imposição das mãos, algumas pessoas acreditam emanar poder de cura ao tocar os doentes e enfermos. A ciência não aceita as teorias religiosas as quais afirmam poder curar, ter uma experiência de sair do corpo ou falar com espíritos; Norbeck aborda sobre o antagonismo entre a ciência e a religião: com o crescimento das ciências as explicações baseadas na religião para esclarecer os fenômenos naturais perderam força. 

Os fatos tendem a explanar ou conduzir para esse caminho: o qual, as crenças são produtos da vida social a que a reflete; como podemos ver no começo desse texto, os deuses estão relacionados ao modo de vida das sociedades; o homem em geral, não tem como imaginar como ou qual seria a vontade de Deus, se não, segundo o que ele entende por verdade, pela sua cultura, pela sua política e as suas crenças. 

Pode se considerar que: “As religiões e as crenças são criadas a partir das necessidades psicológicas e sociais do “homem”. Não há registro em qualquer estudo por parte da História, Antropologia, Sociologia ou qualquer outra "ciência" social, de um grupamento humano em qualquer época que não tenha professado algum tipo de crença religiosa. As religiões são então um fenômeno inerente a cultura humana, assim como as artes e técnicas. Grande parte de todos os movimentos humanos significativos tiveram a religião como impulsor, diversas guerras, geralmente as mais terríveis, tiveram legitimação religiosa; estruturas sociais foram definidas com base em religiões e grande parte do conhecimento científico, "filosófico" e artístico tiveram como vetores os grupos religiosos, que durante a maior parte da história da humanidade estiveram vinculados ao poder político e social.

Hoje em dia, apesar de todo o avanço científico, o fenômeno religioso sobrevive e cresce, desafiando previsões que anteviam seu fim. A grande maioria da humanidade professa alguma crença religiosa direta ou indiretamente e a Religião continua a promover diversos movimentos humanos, e mantendo estatutos políticos e sociais. Tal como a Ciência, a Arte e a Filosofia, a Religião é parte integrante e inseparável da cultura humana, e muito provavelmente continuará sendo. Não cabe ao antropólogo a valoração de costumes e crenças das religiões, o certo é que a religião faz parte da cultura dos povos e como parte integrante da cultura sofre as variações dos diversos locais, como também influência nos seus costumes. O sagrado não pode ser compreendido delimitando-o a um espaço religioso, mitos, crenças etc. sagrado é tudo que se opõem ao profano. A religião é uma coisa que está fortemente ligada à cultura das sociedades, nas quais estão inseridas, e “coincidentemente” sempre relacionadas a alguma hierofania,que podem ser: Cósmicas (céu, águas, a terra e as pedras.); Biológicas (vegetação, agricultura, sexualidade etc.); Tropicais ( lugares, templos, etc.); e por fim os mitos e os símbolos. 
Depois de avaliar todos esses significados, ai sim, podemos nos aproximar do que possivelmente possa representar cada coisa sagrada. A espécie humana desde o começo dos tempos pretendeu relacionar alguns acontecimentos, fenômenos, catástrofes naturais a alguma manifestação do sagrado, acreditando por trás de tudo haver uma divindade, magia, alma, espírito etc. Dumezil xxx coloca todas as religiões no mesmo patamar e cada categoria possui uma morfologia de riquezas. Qualquer fato analisado revelará uma modalidade do sagrado, enquanto hierofania, e uma situação do homem enquanto a sua relação com o sagrado, dependendo do seu contexto histórico (espaço e tempo). O momento histórico terá influencia sobre a hierofania (manifestação do sagrado).
Segundo Dumézil, pag. 25, [...] É sempre numa certa situação histórica que o sagrado se manifesta, até as experiências místicas mais pessoais transcendentes sofrem a influencia do momento histórico. 
Enquanto algumas hierofanias tornam-se multivalentes ou universalistas, outras permanecem locais e inacessíveis a outras culturas, por caírem em desuso ao longo dos tempos, às vezes “até nas sociedades onde foram criadas”.
A ciência não aceita a teoria da criação religiosa, a qual conhecemos por fixismo. Essa teoria diz que as coisas foram criadas e permanecem do mesmo jeito desde o começo, ha milhões de anos. A ciência não concorda com o mito da criação, religiosa cristã, pois o mesmo é um texto cheio de alegorias, e algumas coisas tem um sentido figurado, o qual não podem ser interpretado no seu sentido literal. Todavia, remete uma simbologia maligna a alguns animais e, a um especial, o qual foi o causador da expulsão do homem do paraíso tentando Eva; e que possivelmente Eva teria saído da costela de Adão. A religião cristã diz que Deus criou o homem do pó da terra soprando em suas narinas dando o fôlego da vida, e que o mesmo veio do pó e ao pó voltará. A religião também diz que existem criaturas aladas que vivem no ar e que são invisíveis aos nossos olhos, e essas criaturas foram expulsas do céu depois de travar uma grande luta, e estão na terra tentando os homens e os levando a destruição; esses seres alados ficaram conhecidos por demônios, e foi um em especial quem tentou Eva no paraíso e conseqüentemente depois veio a queda do homem, sendo expulsos dos jardins do Éden, Eva e Adão. 
Uma das principais críticas à religião viria da teoria da evolução das espécies, levantada por Charles Darwin, a qual acredita e tem evidencias, de que a humanidade evoluiu de uma célula; e o processo de seleção natural fez com que ao longo dos tempos e devido a um sistema de competição natural, os mais adaptáveis perpetuassem a sua herança genética, permitindo que a geração seguinte herdasse os traços necessários para uma melhor adaptação no meio em que vive. Ainda, segundo a ciência, a espécie humana teria um antepassado primitivo que seria o elo entre o homem e os símios, o qual ficou bastante conhecido como “O elo perdido”. 
Uma crítica muito interessante é de que algumas pessoas simplesmente acreditam na bíblia, porque foi esta a história que aprenderam desde pequenos e, acabam ignorando as evidencias descobertas pela ciência (fosseis, os movimentos das placas tectônicas etc.). A bíblia relata que a terra só teria sido criada ha seis mil anos, e eis outro fato que é refutado pela ciência, e assim por diante, haverá uma serie de fatores que poderão ser contestados pela ciência. 
O século XIX trouxe a geologia criada pelo advogado,naturalista e geólogo escocês Sir Charles, o que fez com que fortalecesse ainda mais a ciencia, evidenciando os fosséis e provando que as especies evoluiram, acabando de vez com a teoria fixista. A ciência não precisa mais da definição da biblica para explicar os fenomenos; a ideia de Deus, Demonios, criação e divindades teriam sido refutadas pela ciência; segundo a ciência, a existencia de tais fatos está no imaginario comum das pessoas, é o que diminui o medo da morte e dá esperança aos homens de suportar as difuculdades; no entanto, a ciência não é uma verdade inquestionavél, pois, um dos pontos que podem ser observados é que a ciência é feita de acerto e erro. Titiev desenvolve a ideia de casualidade controlada, segundo ele à medida que o nivel de conhecimento humano cresce sua crença e dependencia no sobrenatural diminui, isso porque o homem passa a demosntrar controle sobre as causas de determinados efeitos, e asim o fenomeno investigado passa do dominio da religiao para o da ciência.



Bibliografia

CEMIN, Arneide. Labirinto - Centro de Estudos do Imaginário. http://www.cei.unir.br/nota2.html (acesso em 12 de 09 de 2013).
ELIADE, Mircela. Tratado de Historia das Religiões. 1970.
FILGUEIRAS, Fernando. Corupção, democracia e Legitimidade. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008.
PASQUARELI, Maria Luiza Rigo. Normas para apresentação de trabalhos academicos [ABNT/NBR-14724]. Osasco: UNIFEO-Centro Universitário FIEO, 2004.
SAGAN, Carl. O Mundo Asombrado Pelos Demonios. São Paulo: Compahia das Letras, 1996.
SANTOS, José Luiz do. O que é cultura. São paulo: Brasiliense, 2006.
WACH, Joachim. Sociologia da Religião. São Paulo: Paulinas, 1990.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A História do Racismo - Documentário Completo



Publicado em 16/03/2013

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Evolucionismo biológico e religião


Darwinismo, uma teoria que não precisava de religiões nem da ideia de Deus para sua explicação, ia de encontro às questões religiosas, pois a igreja defendia veementemente a crença no fixismo. 
Segundo a bíblia o homem teria sido criado por Deus nos jardins do Eden e de forma alguma evoluiu desde a criação. Os adeptos ao darwinismo combatem essa teoria religiosa profundamente, devido às evidências encontradas ao longo dos tempos, e conseqüentemente ponderadas por Charles Darwin. Talvez possa dizer que ainda existe uma tensão muito grande entre a ciência e a igreja. 
O século XIX trouxe a geologia criada pelo advogado,naturalista e geólogo escocês Sir Charles, o que fez com que fortalecesse ainda mais a Ciência, evidenciando os fósseis e provando que as especies evoluíram, acabando de vez com a teoria fixista, no entanto, segundo a antropologia a questão exposta, gerou um desconforto que ainda continua fora do campo acadêmico. 
A ciência não precisa mais da definição da bíblica para explicar os fenômenos, a ideia de espíritos e divindades; segundo a ciência: a existência de tais fatos está no imaginário comum das pessoas, é o que diminui o medo da morte e dá esperança aos homens de suportar as dificuldades; no entanto, a ciência não é uma verdade inquestionável, pois, um dos pontos que podem ser observados é que a ciência é feita de acerto e erro. Titiev desenvolve a ideia de casualidade controlada, segundo ele à medida que o nível de conhecimento humano cresce sua crença e dependência no sobrenatural diminui, isso porque o homem passa a demonstrar controle sobre as causas de determinados efeitos, e assim o fenômeno investigado passa do domínio da religião para o da ciência.
Todavia, uma teoria pode em um determinado período de tempo ser refutada; basta comparar as teorias de Newton e Einstein com a ciência contemporânea e ver que hoje são tidos como clássicos, pois, tudo evolui, assim como a ciência e as religiões não estão de fora desse contexto. 
A magia, as crenças em divindades ou a fé, fazem parte do imaginário da maioria dos indivíduos em geral. Essa afirmação ganha força ao se fazer uma pesquisa etnográfica dos povos desde o começo da história. Não se tem conhecimento de nenhuma sociedade antiga que não acreditasse em uma divindade. A religião principal européia é monoteísta, e acreditam num Deus branco, semelhante ao homem. Os deuses africanos e os dos índios brasileiros têm a ver com as forças da natureza, se atribui características humanas a objetos inanimados, que chamamos de animismo; portanto se acredita que uma energia possa emanar de objetos ou pessoas, e se requer preparo no intermédio entre as forças espirituais. Algumas pessoas desavisadas exercem certo tabu. A crença num mundo espiritual dá esperança de que a vida não seja finita, e faz algumas pessoas acreditarem que mesmo mortos, podem rever parentes que já “partiram” ou “ficaram”, ou morar num paraíso; e de certa forma isso é bom porque as pessoas passam a se preocupar menos com o medo da morte. 
Imaginando uma situação hipotética, num estado de natureza pré-social, antes da criação do estado e das leis, 

podemos refletir como a sociedade se apoiava na moral baseada nas crenças (religiões), e nos mitos. Mesmo antes de haver uma lei dizendo que não se deveria matar, a crença em espíritos, numa maldição sobrevinda ao algoz, ou mesmo um castigo divino, colocava medo nas pessoas e fazia se pensar se valeria à pena tirar a vida de alguém. É claro que nem todas as pessoas acreditavam nisso, no entanto, coloca as crenças ou religiões como um freio moral para as sociedades.
Para os antropólogos não existe uma hierarquia nas religiões, colocando num patamar qual seria a melhor ou verdadeira, todavia, o olhar de uma forma neutra permite ver com um prisma diferente e analisar os benefícios sociais, mas também, as atrocidades cometidas ao longo da história da humanidade. Desprezar as crenças e rituais é desprezar toda a cultura de um povo.


Alex Alves

CASTRO, Celso. 2005. Apresentação. In: CASTRO, Celso. ‘Evolucionismo Cultural. Textos de Morgan, Tylor e Frazer.’ Jorge ZAHAR Editor. RJ.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Religião e Crenças I


As religiões denominadas afro-brasileiras não são verdadeiras religiões ou são traços arcaicos deixados pela cultura africana no Brasil?


Em se tratando de religião o antropólogo não pode dizer que uma ou outra sejam traços arcaicos remanescentes, no entanto, assim como a cultura a religião evolui, e podem-se encontrar traços de uma em outra totalmente separada. Dizer que uma religião são traços arcaicos seria etnocentrismo, pois daria a idéia de uma coisa ultrapassada ou inferior, o candomblé é uma variação de um segmento de religião africana o qual foi adaptado ao chegar ao Brasil, e existe muita descriminação por parte das pessoas que desconhecem a sua origem; alguns chamam de macumba ou relacionam a magia negra. Na Grécia as pessoas ofereciam animais aos deuses, na bíblia também se ofereciam animais ao Deus de Abraão, e em toda a historia vemos esse tipo de costume, no entanto não se fala nas escolas nem nas igrejas e discriminam e dizem que é uma coisa primitiva de pessoas cuja intelectualidade não evoluiu, por acreditar “nas forças da natureza” ou em oferenda. As religiões afro-descendentes são verdadeiras em se tratando de existir culturalmente como qualquer outra, como disse Lubock: o antropólogo ao estudar as religiões deve se colocar numa posição neutra, ou estádio zero, “ateísmo”. Isso não quer dizer que o individuo vai negar a existência de Deus, mas se desprender de qualquer opinião prévia.

Alex Alves

CASTRO, Celso. 2005. Apresentação. In: CASTRO, Celso. ‘Evolucionismo Cultural. Textos de Morgan, Tylor e Frazer.’ Jorge ZAHAR Editor. RJ. Pag. 7 – 38.

Religião e Crenças II

As crenças são produtos da vida social que a reflete



Segundo a antropologia, o homem criou signos que podem transmitir conhecimento, cultura, sentimento, arte etc. A capacidade de pensar e falar, procurar os significados das coisas, refletir sobre um criador, levou o homem de uma linguagem inarticulada para uma mais articulada. O pensamento em um ser divino leva o homem de uma conduta instintiva a uma conduta moral. 
A permanência nos grupos passou a exigir uma conduta moral baseada nos costumes, mitos e crenças das sociedades as quais pertenciam o individuo. Segundo Norbeck, “as cerimônias, os rituais e as religiões são baseados no sistema social, os quais estão integrados os agentes sociais”. Geralmente a sociedade, a qual o modo de vida gira em torno da agricultura, vai crer que a sua colheita dependerá de uma divindade, a qual tem o poder de determinar se a colheita será boa ou ruim. Se a divindade não estiver zangada a colheita será boa, se não, será ruim como forma de castigo.
As sociedades que dependem do mar para viver geralmente relacionam a sua sorte aos deuses relacionados ao mar. Acreditam que existem divindades, as quais estão relacionadas ao mar e delas depende a sua sobrevivência. Seja na pescaria ou ao navegar não serem tragados pelo mar. O homem em geral, não tem como imaginar como ou qual seria a vontade de deus, se não, segundo o que ele entende por verdade, pela sua cultura, pela sua política e as suas crenças. Geralmente os deuses têm semelhança humana, os quais no cristianismo, candomblé, hinduísmo, budismo, islamismo etc. todos são sujeitos aos mesmos desejos e paixões que os homens. Por exemplo, os deuses podem sentir: íra, ciúmes, inveja, amor, compaixão etc. todos os sentimentos relacionados ao ser humano. Outro detalhe é que o Deus europeu é branco, e não negro nem indígena, ou seja, cada sociedade vai criar um Deus a sua imagem e semelhança. Como disse Xenofanes: se um cavalo pudesse pintar como seria o seu Deus, o pintaria em forma de cavalo e Nietzstche: o Deus é a imagem e semelhança do homem, contradizendo a bíblia, a qual diz que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança. Algumas religiões pregam uma vida de ascetismo, a qual na concepção de “alguns”: aproxima o individuo do seu Deus, pois o desapego aos bens materiais dará na outra vida, muito ouro e riquezas. Em uma sociedade grande as religiões tendem a separar as pessoas. Devido às diferentes crenças, que são muitas, e cada pessoa achar que a sua religião é a verdade.
Mesmo uma pessoa não sendo um fundamentalista religioso ou intolerante com as outras religiões, existe um certo pré-conceito em aceitar os argumentos de uma outra cultura religiosa estranha da sua; todavia, o individuo só busca argumentos que reforce a sua crença em determinada religião, a qual ele acredita, acarretando na desintegração social ou o afastamento social.
Mesmo sendo uma questão primitiva de regras baseada na moral e nos costumes, as religiões tem a sua contribuição social, uma vez que, faz um individuo refletir antes de infringir uma norma social ou algumas regras sociais como: matar, roubar, cobiçar etc. e outras as quais são conhecidas como pecados capitais: gula, avareza, inveja, luxuria etc. Os fatos sociais de Durkheim são um exemplo de como as normas sociais são importantes para as sociedades; nele a religião é um dos “determinantes” e delineadores do comportamento humano; a sociedade é quem cria o individuo. A crença em almas ou espíritos e uma vida após a morte podem atenuar o medo do “fim”, o individuo vai aceitar a morte de uma forma menos destruidora, pois, entenderá que a morte só será um meio para chegar ao mundo espiritual o qual não haverá sofrimento nem dor. 
Cada sociedade vai ter a sua crença baseada nos seus costumes religiosos, e essa crença sofrerá mutações na medida em que as sociedades vão trocando experiências umas com as outras, as religiões sofrerão adaptações, e isso faz parte da evolução cultural das sociedades. As religiões não devem ser comparadas moralmente ou colocadas num patamar que caracterize uma proximidade ou distancia com a razão, todavia, todas são baseadas na crença, o que não poderá de forma alguma atestar a sua eficácia ou veracidade. Se um individuo acredita que existe uma força, a qual possui a capacidade de interferir espiritualmente no mundo em que vivemos e essa energia pode emanar de um objeto ou pessoa e pode ser passada pelo toque ou pela presença no mesmo local com o objeto ou pessoa. Não se pode dizer que essa pessoa é atrasada ou intelectualmente inferior as outra pessoas, pois a religião não é baseada na razão, realmente acredita-se que exista certa necessidade de conhecimento e preparação em entrar em contato com os “objetos”, os quais o mana esteja relacionado. O Tabu é uma forma de manter as pessoas desavisadas a distância. De certa forma existe tabu em tocar em determinadas “coisas ou pessoas”. Um exemplo interessante é o medo que algumas pessoas têm em esbarrar - tocar - em uma oferenda aos deuses africanos, pois, imagina-se que ao tocar no “objeto” certo mal poderá sobrevir contra o individuo. Outro exemplo seria a cura através da imposição das mãos, algumas pessoas acreditam emanar poder de cura ao tocar os doentes e enfermos. A ciência não aceita as teorias religiosas as quais afirmam poder curar, ter uma experiência de sair do corpo ou falar com espíritos; Norbeck aborda sobre o antagonismo entre a ciência e a religião: com o crescimento das ciências as explicações baseadas na religião para esclarecer os fenômenos naturais perderam força. 
Os fatos tendem a explanar ou conduzir para esse caminho: o qual, as crenças são produtos da vida social a que a reflete; como podemos ver no começo desse texto, os deuses estão relacionados ao modo de vida das sociedades; o homem em geral, não tem como imaginar como ou qual seria a vontade de Deus, se não, segundo o que ele entende por verdade, pela sua cultura, pela sua política e as suas crenças. 
Os “homens” criaram deuses para explicar fenômenos naturais e coisas que ele não conseguia explicar. Existem deuses antropozoomorficos, metade animal, metade humana, ao quais está determinada toda a vida no planeta e o antropomorfismo dos gregos o qual o termo antropo significa (homem) e morfismo (forma); ou africanos, indígenas, híndu ou budista os quais todos sujeitos aos mesmos desejos e paixões.
Pode se considerar que: “As religiões e as crenças são criadas a partir das necessidades psicológicas e sociais do “homem”. Não há registro em qualquer estudo por parte da História, Antropologia, Sociologia ou qualquer outra "ciência" social, de um grupamento humano em qualquer época que não tenha professado algum tipo de crença religiosa. As religiões são então um fenômeno inerente a cultura humana, assim como as artes e técnicas. Grande parte de todos os movimentos humanos significativos tiveram a religião como impulsor, diversas guerras, geralmente as mais terríveis, tiveram legitimação religiosa; estruturas sociais foram definidas com base em religiões e grande parte do conhecimento científico, "filosófico" e artístico tiveram como vetores os grupos religiosos, que durante a maior parte da história da humanidade estiveram vinculados ao poder político e social.
Hoje em dia, apesar de todo o avanço científico, o fenômeno religioso sobrevive e cresce, desafiando previsões que anteviam seu fim. A grande maioria da humanidade professa alguma crença religiosa direta ou indiretamente e a Religião continua a promover diversos movimentos humanos, e mantendo estatutos políticos e sociais. Tal como a Ciência, a Arte e a Filosofia, a Religião é parte integrante e inseparável da cultura humana, e muito provavelmente continuará sendo. Não cabe ao antropólogo a valoração de costumes e crenças das religiões, o certo é que a religião faz parte da cultura dos povos e como parte integrante da cultura sofre as variações dos diversos locais, como também influência nos seus costumes.

Alex Alves

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Contrato Social de Hobbes

Thomas Hobbes (5 de abril de 1588 — 4 de dezembro de 1679)
Anomia:
           
       Estado de vida social sem normas, onde não existe nenhum órgão regulamentador das leis, da disciplina, política etc. as questões morais não regulam a sociedade. Não existe fé no poder do Estado.
           
Estado de natureza (contrato social Hobbesiano)

Considera-se que o estado de natureza hobbesiano foi a primeira presunção científica do Estado e do Direito. Seria um estado anterior à existência de uma sociedade organizada e política; um estado pré-social, o qual prevalecia a auto-tutela, lei do mais forte. Para Hobbes, nesse estado o homem julga ter direito a tudo quanto quiser, é ambicioso e não existem limites para os seus desejos. O homem vivia o direito de possuir tudo o que bem quiser, inclusive se para isso tivesse que matar outro homem, daí que o estado de natureza: “é um estado de guerra de todos contra todos”. Para Hobbes, “o homem não possui instinto social, como pensava Aristóteles”. O Estado de natureza, essa guerra de todos contra todos tem por conseqüência o fato de nada ser injusto. As ciências de certo e errado, de justiça e de injustiça não têm lugar nestas circunstâncias. Onde não há lei, não há injustiça. Se vivia constantemente um modo de assimetria de informação, cujo individuo imaginava está constantemente ameaçado pelo outro. Para Hobbes o homem tem medo de ser morto ou escravizado e esse temor é a paixão que vai do desejo à razão e levá-lo à criação do Estado, através de um contrato social. 


Assim sendo,     só haverá paz se cada pessoa renunciar ao direito absoluto que tem sobre todas as coisas em favor de um soberano – e assim manter sua igualdade. Quanto ao Estado, ele se torna o poder absoluto, pois houve um pacto de submissão. O pacto de submissão foi feito entre os homens, que entregam seus direitos para o bem de todos. O individuo se submete a tutela do estado e a ele deve submissão, assim, se algum homem matasse, roubasse, ou cometesse algum crime contra outro, o estado o puniria, pois ele é o soberano. Assim fez com que a luta do homem contra o próprio homem tivesse um interventor, e se viveria sob as normas do Estado. O Estado, é fictício, não existe fisicamente, é um conjunto de normas, nas quais a sociedade passa de um estado de natureza para um contrato civil. O Estado para se fazer manter a sua força cria o seu exercito, para garantir que as leis sejam respeitadas e cumpridas. 

Alex Alves


SALDEK, Maria Tereza; RIBEIRO, Renato Jaime; MELO, Leonel Itaussu Almeida; J. A. Guilhon Albuquerque, Milton Meira do Nascimento, LIMONGI, Fernando Papaterra. Os Classicos da Política. Sao Paulo: Ática, 2001.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

PARTO HUMANIZADO E A IMPESSOALIDADE DO SISTEMA PÚBLICO

Alexsandro Alves de Araújo
 Universidade Federal de Pernambuco – UFPE
Centro De Filosofia e Ciências Humanas – CFCH
Ciências Sociais – Licenciatura
Seminários Interdisciplinares
Docente: Alexsandro S. Jesus


Resumo - Este artigo apresenta o relatório final solicitado para a obtenção da nota do curso de seminário interdisciplinar. O tema foi escolhido mediante a possibilidade de escolha do aluno. Aborda sobre o fato da impessoalidade do sistema público de saúde em relação às mulheres grávidas, e a importância das parteiras  nos lugares os quais o sistema público ainda não chegou. Será utilizado o uso de figuras e recortes de textos da internet dispostas no final do artigo como forma de reforçar a compreensão do leitor.

Abstract - This paper presents the final report required for obtaining the note interdisciplinary seminar course. The theme was chosen by the possibility of the student's preference. Addresses on the fact that the impersonality of the public health system regarding pregnant women, and the importance of midwives in places where the public system is not yet. Will be used the use of figures and text clippings internet arranged at the end of the article as a way to enhance the reader's understanding.

(Palavras-chave: parto humanizado, parteiras, impessoalidade)

1. INTRODUÇÃO 

Este texto tem a finalidade de explanar sobre o descaso por parte das instituições públicas “hospitalares”, e a impessoalidade com que são tratadas algumas gestantes nesses locais, foi tema de um dos debates em sala de aula. O parto humanizado permite maior conforto para a mulher e respeita os limites do seu corpo, pois não tenta antecipar o nascimento do bebê. O trabalho das parteiras aos poucos deixou de ser procurado, até porque, encontra resistência pela Organização Mundial de Saúde (OMS), por causa dos riscos que envolvem, por falta de recursos para a segurança da mulher. Abordarei este tema tentando nos levar a uma reflexão: até que ponto é seguro o parto em casa e se há impessoalidade no sistema público. 

2. O  MUSEU DA PARTEIRA

            O projeto museu da parteira fica situado em Jaboatão dos Guararapes-PE, e foi fundado como uma forma de patrimonização para reconhecer os trabalhos feitos pelas parteiras ao longo dos tempos e preservar a sua memória. As famílias que moravam longe dos grandes centros urbanos geralmente eram atendidas por elas, comumente eram pessoas conhecidas na localidade. O trabalho realizado por elas não tinha fins lucrativos, era uma forma voluntaria de ajudar, todavia, aceitavam ajuda financeiro como reconhecimento simbólico, não especulava valor,  servia mais para ajudar na sua vida diária. Segundo reportagem no site http://www.institutonomades.org.br/parteiras-localidades/jaboatao:

[...] De acordo com contagem populacional realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007 o município de Jaboatão apresentava uma população estimada de 665.387 habitantes, número que consolidava sua posição como o segundo maior município de Pernambuco em número de habitantes, sendo ultrapassado apenas pela capital do estado. Embaralham-se em seu território áreas predominantemente urbanas, com todos os seus problemas característicos, e áreas predominantemente rurais, formadas por engenhos. A Associação das Parteiras Tradicionais e Hospitalares de Jaboatão dos Guararapes, [...] congrega parteiras urbanas e rurais, além de parteiras de municípios vizinhos, como Recife e Camaragibe. Ver figura 1 em anexo

Tal reconhecimento coloca estas mulheres em evidencia, muito embora esse trabalho venha aos poucos deixando de ser utilizado, pode-se recordar e buscar mais sobre o tema visitando o museu em Jaboatão.

2. AS PARTEIRAS

2.1 O Iphan estuda classificar parteiras de Pernambuco como patrimônio nacional

            Aliny Gama Especial para o UOL Notícias Em Maceió 26/09/201112h45:
[...] O ofício das parteiras pode se tornar patrimônio imaterial brasileiro no Livro de Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial do Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O inventário – requisito para o título – foi realizado por um grupo de instituições pernambucanas onde o trabalho das raras parteiras resiste ao tempo. Devido à oralidade da técnica de partejar, o conhecimento do ofício deve ser registrado em forma de livro para que a prática não seja extinta com o passar dos anos. Ver figura 2 e 3 em anexo

            O Ipham convida as mulheres para rodas de diálogos, ensinando sobre a gestação, o parto e os métodos corretos no exercício da função para não ocorrer complicações na ora do nascimento e de reconhecer quando for o caso de uma intervenção médica. O lema do grupo é “somos todas mães”. É importante esse trabalho de esclarecimento, pois em alguns lugares estas mulheres são de fundamental importância.
2.1.2 Como as parteiras são vistas pelos médicos

            A comunidade de medicina não aprova o parto em casa por que é um ambiente o qual não se poderá recorrer aos aparelhos e métodos utilizados dentro de uma instituição apropriada para a intervenção medica necessária, UTI, anestesista, obstetra entre outros. E pelo desconhecimento, algumas parteiras faziam relação do parto com a dor e acabavam a provocando para acelerar o processo.

3. PARTO HUMANIZADO

            A humanização da assistência medica neonatal proclama uma mudança na concepção do parto como experiência humana, e para quem o assessora, uma mudança no “que fazer”diante do sofrimento do outro humano, no caso da mulher; consiste em um tratamento de respeito. O ideal seria não intervir no parto e sim deixar que ocorra naturalmente sem que seja necessária a operação cesárea.

            De acordo com  (Mariana Portella s.d.):
O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de partos cirúrgicos. A situação é alarmante, pois enquanto a Organização Mundial da Saúde(OMS) recomenda uma taxa de 15%, o Ministério da Saúde identifica que, na rede privada, os partos cesáreos chegam a 82% e, na rede pública, 37%. [...] A Coletiva também traz uma entrevista com a médica Simone Diniz. A entrevistada acredita que houve um avanço na questão da universalização do parto, mas avalia o modelo de assistência ao parto no Brasil como obsoleto, inseguro e provocador de sofrimento nas mulheres. Para Diniz, o primeiro problema seria a aposta na assistência centrada no médico de formação cirúrgica. A reportagem “Como fazer do seu parto uma festa” aborda o tema das festas de nascimento, tendência que, tal como a “cultura da cesárea”, cresce no país. Ver figura 4 e 6 em anexo

            O momento do parto ou o que o antecipa, não necessariamente deve ser visto como uma coisa assustadora; o termo utilizado por Simone Diniz “fazer do parto uma festa” é simplesmente tratar a mulher com o devido respeito, levando em consideração o principio de igualdade, tratando-a  com um ser humano e não como um objeto ou um ser sem alma. O que acontece na maioria das vezes é que uma pessoa comum não pode ter um medico a sua disposição, todavia, os bebês não escolhem à hora de nascer. É mais cômodo para o médico agendar o dia do nascimento oferecendo a possibilidade de um parto cesáreo.

3.1 O parto em casa

            Muitas pessoas confundem o parto em casa com o parto humanizado, pelo fato de poder ter a presença dos familiares, ouvir musicas relaxantes, e ter a presença de uma parteira disponível, no entanto, o parto humanizado também pode ser feito no hospital; se faz necessário uma conscientização por parte das instituições hospitalares em relação ao tratamento com dignidade ao próximo. Alem do que os hospitais dispõem de aparelhos e uma segurança maior em caso de socorro médico.

4. A INSTITUIÇÃO E A IMPESSOALIDADE

            O parto torna-se institucionalizado –impessoal– impondo a submissão feminina e tratando de forma depreciativa ou infantilizando a mulher a chamando de “mãezinha” entre outros nomes; não tratando com o devido respeito, assemelhando o serviço público hospitalar aos de outras instituições: os presídios por exemplo. Onde os infratores entram, são destituídos de todos os seus pertences e dalí em diante não pertencem mais a sociedade e sim a instituição (Estado), e são uniformizados, assim também fazem com as mulheres.  Segundo (Diniz 2013 apud Mold & Stein, 1986).

No modelo hospitalar dominante na segunda metade do século 20, nos países industrializados, as mulheres deveriam viver o parto (agora conscientes) imobilizado, com as pernas abertas e levantadas, o funcionamento de seu útero acelerado ou reduzido, assistidas por pessoas desconhecidas. Separada de seus parentes, pertences, roupas, dentadura, óculos, a mulher é submetida à chamada “cascata de procedimentos”.

            Algumas mulheres são tratadas muito mal, em sua maioria, pelo fato de não aparar o pelos pubianos, são ridicularizadas e maltratadas pelas enfermeiras e sofrem descaso pelo corpo médico. Transformando o momento do parto em um momento de culpa e sofrimento, o qual, desprovidas de companhia e amparo da instituição sentem medo de reclamar.
           

Anexos


                                                   
Figura 1 – Museu da parteira

Figura – 02 Capacitação para parteiras tradicionais desenvolvida pelo Grupo Curumim 
  
Figura – 03 Capacitação para parteiras tradicionais desenvolvida pelo Grupo Curumim 

Figura – 04 Partos realizados em casa auxiliados por parteira e doula reacendem tradição de nascimento domiciliar. Ambiente residencial traz aconchego para mãe e filho e diminui o risco de infecções contraídas em hospital

Figura – 05 Índia xukuru mostra um dos instrumentos utilizados em partos realizados na aldeia

Figura – 06 Partos realizados em casa auxiliados por parteiras e doula reacendem tradição de nascimento domiciliar. Ambiente residencial traz aconchego para mãe e filho e diminui o risco de infecções contraídas em hospital.


Discussões e Conclusões


            O tema abordado explana sobre um percentual da população que é ignorado, todavia, tais fatos de descaso e impessoalidade não são levados em consideração, pois algumas pessoas desconhecem os próprios direitos, e o medo de reclamar se tronam bastante evidentes. A criação do museu da parteira resgata a memória dos trabalhos prestados por elas e é também uma forma de homenageá-las pelos serviços prestados às famílias que tiveram como único recurso, o parto em casa.

Referências


1.      DINIZ, Carmen Simone Grilo. Humanização da assistência ao parto no Brasil: os muitos sentidos de um movimento. Recife, 06 de 09 de 2013.

2.      GAMA, Aliny. Uol Noticias - Cotidiano. 26 de 09 de 2011. http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/09/26/iphan-estuda-classificar-parteiras-de-pernambuco-como-patrimonio-nacional.htm (acesso em 27 de 08 de 2013).

3.      MARIANA Portella, SIMONE Diniz. Fundação Joaqui Nambuco. http://www.fundaj.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2553:assistencia-ao-parto-e-tema-da-revista-coletiva-&catid=44:sala-de-impressa&Itemid=183 (acesso em 27 de 08 de 2013).


FONTE DAS FOTOS NA INTERNET

4.      http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/09/26/iphan-estuda-classificar-parteiras-de-pernambuco-como-patrimonio-nacional.htm

5.      http://www.institutonomades.org.br/parteiras-localidades/jaboatao


6.      http://www.fundaj.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2553:assistencia-ao-parto-e-tema-da-revista-coletiva-&catid=44:sala-de-impressa&Itemid=183

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